As três perguntas…

Como disse na publicação anterior, neste primeiro post irei lançar algumas das problemáticas da minha dissertação de mestrado. Se ainda não leram a minha mensagem de boas-vindas, ou o texto no separador “Sobre”, aproveito para referir que sou mestrando em Comunicação, Arte e Cultura pela Universidade do Minho. A minha dissertação tem como temas-chave, o rap português, a internet e a identidade virtual.

Na verdade, esta pesquisa começou no meu tempo de licenciatura em Estudos Culturais (ILCH – Universidade do Minho), onde, a partir do segundo ano, já realizava alguns trabalhos académicos, os quais submeti com sucesso em seminários e congressos internacionais, como foi o caso do Confibercom 2014:

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Embora minha pesquisa já tenha pelo menos dois anos, digamos que uma estrutura argumentativa “princípio-meio-fim” só será concebida agora no mestrado, com algumas reservas para o “fim”, porque investigação raramente vê um fim. Assim, como todo mestrando, preciso de perguntas, hipóteses, variantes e constantes, etc…

Estou actualmente a terminar o projecto do mestrado, e embora a pesquisa ainda esteja um pouco vaga/aberta a mudanças, três questões me acompanham desde a licenciatura:

1 – Não será difícil perceber, principalmente para quem faz rap, que o que era antes (início dos anos 2000) o ambiente atmosférico urbano do movimento hip-hop, sofreu uma migração acentuada para a internet. Só isto não forma uma problemática relevante para mim, uma vez que praticamente toda a industria musical viu essa migração. O que me intriga é: como se sentem os rappers que, antes da massificação do acesso à internet em Portugal, produziam música para as ruas, e agora esse ambiente urbano foi engolido pela rede (?). Meu interesse centra-se mais no movimento purista do rap nacional. O que realmente mudou nessa configuração?  Perdeu o rap parte de sua essência?

2 – Usando a mesma comparação temporal, entre início dos anos 2000 e a migração dos rappers para a rede, pergunto-me também: Quais são as lógicas de comunicação destes artistas, uma vez que agora não são mais o único ponto de emissão de informação? Uma vez que a internet democratizou a informação, tornando o utilizador um possível emissor de opinião, quase sem filtros, quais são os posicionamentos quanto à comunicação destes rappers, agora acessíveis e expostos a feedback directo, à distância de um simples clique e acesso a uma página de Facebook? Tornaram-se eles marketeiros?

3 – Por fim, interessa-me analisar a configuração, e a existência (ou não), da comunidade imaginada online do movimento hip-hop tuga. Existe ou não uma consciência colectiva de pertença a um movimento, que na rede perdeu território e margem, para não falar da compressão do tempo? Haverá uma identidade colectiva desta comunidade dentro da rede, e uma diferente no mundo offline?

Estas são algumas das perguntas que se vão transformar, e sobre as quais me debruçarei ao longo dos próximos meses. O meu próximo post será sobre a metodologia que irei utilizar, ou pelo menos a que tenciono… vamos ver o que a minha orientadora diz =)

Hora de ir…vou ali comer uma pizza.

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