Artigos de Davide Gravato

(English below) Davide Gravato é graduado em Estudos Culturais e Mestrando em Comunicação, Arte e Cultura pela Universidade do Minho. Faz música desde 2005 em variados estilos, entre eles Downtempo e Rap. É ainda analista de Big Data e simpatizante de Agressive Inline, artes marciais, e TCGs. English: Davide Gravato graduated in Cultural Studies and now attends a Master in Communication, Art and Culture at University of Minho. Musician since 2005 in various genres, among them Downtempo and Rap. He's a big data analyst and enjoys some Agrassive Inline, Martial Arts and TCGs once in a while.

Depois da ausência

Esta é apenas uma pequena nota após minha longa ausência. Tive bastante trabalho, e o tempo que dediquei à tese não foi muito. Nos dias que correm estou a escrever algumas páginas por dia, e estou a recuperar tempo “perdido”.

As minhas parcerias com os sites de Hip-Hop Tuga estão ainda de pé (penso eu), mas não consegui combinar com os administradores das páginas, para proceder a um lançamento. O blogue em si também não foi lançado, e se estás a ler isto, o mais provável é que sejas meu amigo no Facebook hehe.

Considerável parte teórica da dissertação já está encaminhada e penso que conseguirei começar a publicar algo aqui. Depois da ausência cá estou novamente.

Até mais!

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Primeiro Ikonoklasta, agora MCK

Tenho acompanhado a página do Luaty Beirão (Ikonoklasta), que tem feito publicações sobre as audições/interrogatórios dos activistas angolanos. Se caíram aqui de pára-quedas e não sabem do que se trata, entrem na página do Luaty, ou cliquem aqui para ler sobre o que aconteceu. Muito resumidamente, e para que entendam o ridículo que foi, passou-se algo assim:

Um dia, o rapper Ikonoklasta (Luaty Beirão), estava a usar o seu cérebro com os seus amiguinhos numa livraria. Eles estavam a discutir um texto de Gene Sharp , “Da ditadura à democracia”. Como discutir um livro desta natureza é completamente corruptível, deixando a pessoa com vontade de fazer greve de fome, Luaty e seus amigos foram presos sob acusação de tentativa de golpe de estado. Tcharam!!! Assim, Luaty e seus amiguinhos foram super bem tratados pelo Governo Angolano. Sim, Governo Angolano! Eles tiveram essa sorte… só tratamento VIP. Como faz todo sentido manter detidas pessoas que lêem livros, por mais de 90 dias (o máximo permitido pela lei…ai esquece, é o Governo Angolano), Luaty começou um protesto em forma de greve de fome. Imaginem lá… Aí pronto, as audiências finalmente começaram. Friso o óbvio novamente! Como estavam a ler um livro subversivo (props para o Agualusa), já se passaram uns 150/160 dias desde a captura destes terríveis indivíduos que ouvem rap. Tudo a portas fechadas como é claro…Pronto, foi isso que aconteceu.

Hoje, sendo o Governo Angolano super inteligente e promotor da democracia, o MCK foi barrado no aeroporto. As ordens superiores que as autoridades levaram a cabo devem ter vindo do Espírito Santo, atravessando Eduardo dos Santos e companhia, e iluminando-os para impediram o MCK de sair do país. Ele não estava a ler um livro, caso contrário teriam-no encarcerado sob atendimento com selo de qualidade governamental angolana. Mas imaginem só, MCK estava se preparando para visitar o Brasil para participar no festival Terra do Rap. Obviamente esses actos representam uma “quase subversiva tentativa de golpe de estado”, então o senso comum falou mais alto, e o MCK teve de ficar por terra…

“Mas nada muda…” Bónus

Um sumário temporário

Pois é, este vai ser o último post sobre a estrutura da tese, pelo menos por agora. O que vou apresentar abaixo é um sumário da dissertação, que irá muito provavelmente sofrer mudanças, e que definitivamente se vai prolongar. Embora eu vá fazer publicações algo aleatórias de vez em quando, este sumário serve também para que possam ter uma ideia do que virá a seguir no blogue. Aqui vai:

  1. Internet e sociedade
    1. Contextualização da internet e a sociedade em rede
    2. Evolução da internet: da web 1.0 à 4.0
    3. Apropriação da internet pelos movimentos culturais
    4. Extração de dados online para análises da realidade virtual
  2. Comunidade imaginada na rede
    1. Comunidade imaginada por Benedict Anderson
    2. Comunidades online:
      I. Tipos de comunidades online
      II. Diferenças e semelhanças: comunidade imaginada de B. Anderson vs comunidade online de (a decidir)
  3. O Hip-Hop e a sua difusão global
    1. Origens sociais e territoriais do Hip-Hop
    2. As quatro principais vertentes
    3. Globalização da cultura Hip-Hop
    4. Contextualização social e a difusão do Hip-Hop em Portugal
  4. Identidade do rap nacional
    1. Formação das margens norte e sul
    2. A disseminação dos “códigos de conduta” nos primeiros álbuns
    3. A expressão do real e o purismo anti-americano
    4. Underground vs Mainstream
    5. Outros aspectos identitários do rap tuga
  5. Das ruas para a rede: A transição do rap português para o meio online
    1. A essência e caracterização do rap nacional na internet
    2. A compressão espaço-tempo
    3. Democratização do espaço e informação
  6. A comunidade imaginada do rap português na rede
    1. Atributos e disposição da comunidade imaginada do rap nacional na rede
    2. Discrepâncias entre o offline e online: (des)aproximação das ruas e público
    3. Relação com comunidades de outras vertentes
  7. Os rappers portugueses na internet
    1. Lógicas de comunicação e interacção com o público online:
      I (Serão escolhidos 6 projetos. Não posso divulgar nomes por enquanto)
    2. Posicionamentos identitários e análise de opinião quanto à essência do rap português no Facebook:
      I (Provavelmente os mesmos 6 projetos serão analisados. Não posso divulgar nomes por enquanto)
    3. Considerações e análises dos resultados
  8. Conclusões
  9. Anexos
    1. Análises estatísticas e semânticas da dissertação: visualização de informação

Pronto, este é o esqueleto base da dissertação, e como já devem ter reparado, pelo carácter algo vago de vários pontos, esperem várias ramificações em cada tópico.

Vou continuar a minha leitura com o Castells! Até mais…

Ikonoklasta é hip-hop: Transformando o rap em atos

Já não é a primeira vez que Luaty Beirão, provavelmente mais conhecido como Ikonoklasta no meio Hip-Hop, é detido e enfrenta adversidades físicas e mentais como consequência de sua convicção. A notícia também não é nova, pois foi em Junho quando 15 pessoas, entre elas Luaty, foram detidas sob acusação de conspirar contra o governo angolano, actualmente presidido por Eduardo dos Santos. Mesmo após 90 dias, período máximo previsto pela “lei” para manter alguém detido preventivamente, Luaty não foi libertado.

Como todos já devem saber, este começou uma greve de fome há quase 30 dias… mas não é do estado grave em que se encontra que vou escrever. Sua condição é certamente preocupante, e todos queremos que a injustiça termine, mas os média parecem querer apenas reportar o estado clínico de Ikonoklasta, em vez de pensar para contextualizar seus atos. Os poucos artigos que vejo a citarem sua música são vagos, não reflexivos e repetitivos. É preciso falar mais sobre o seu trabalho, analisar o discurso e temáticas, do que fazer apenas referência em que álbum entrou, ou com quem é que se relaciona.

Jornalistas bem referem “o rapper”, mas não falam de rap, e preguiçosamente deixam de contextualizar Ikonoklasta no movimento hip-hop tuga e angolado. Luaty vem transformando o seu discurso em atos. Diz-se que rap é o que se faz, hip-hop é o que se vive… não consigo então encontrar um exemplo mais fiel que o posicionamento de Luaty. Ele não só vive o hip-hop, aqui de maneira figurada, como parece estar disposto a morrer por ele. Hip-Hop é aqui a mensagem, o movimento, a manifestação, a democracia, a greve de fome…é Ikonokasta.

“É verdade! Juro… passou na televisão” … só não passou o importante. Força Luaty!

Começo atribulado + Parcerias

“Onde anda o Davide?!”

A minha última publicação foi há quase um mês e meio, e só tenho de pedir desculpas pelo início atribulado deste blogue. Foi uma mistura de trabalho, falta de tempo e até um pouco de preguiça, mas hoje voltei para vos esclarecer a situação deste projecto.

Para que me discipline, decidi o seguinte esquema de publicações:
– Haverá um post neste blogue todos os fim-de-semanas (noite de sexta-feira, sábado ou domingo).
– O ponto acima não invalida a possibilidade de publicar mais de um post por semana.
– Publicações semi-aleatórias, mas relacionadas com os temas deste blogue (rap; hip-hop em geral; identidade; comunidade imaginada; internet; comunicação e big data) serão postadas no nosso Facebook. Pelo menos uma a cada 2/3 dias…

Esta entrada deveria dar continuidade à explicação do projecto do meu mestrado, no entanto, este já sofreu alterações. Assim, farei apenas um post que o explicará de uma maneira geral, para que possamos prosseguir com a proposta de conteúdo deste blogue rapidamente.

Antes de encerrar este post… bastante protocolar e aborrecido, quero ainda anunciar que o Rede Hip-Hop fez três parcerias com sites nacionais. Irei divulgar os nomes dos mesmos, assim como em que é que consiste a parceria, num futuro muito próximo.

Mais uma vez peço desculpa pela inconsistência inicial de publicações…
… e vou ali publicar isto no Facebook.

As três perguntas…

Como disse na publicação anterior, neste primeiro post irei lançar algumas das problemáticas da minha dissertação de mestrado. Se ainda não leram a minha mensagem de boas-vindas, ou o texto no separador “Sobre”, aproveito para referir que sou mestrando em Comunicação, Arte e Cultura pela Universidade do Minho. A minha dissertação tem como temas-chave, o rap português, a internet e a identidade virtual.

Na verdade, esta pesquisa começou no meu tempo de licenciatura em Estudos Culturais (ILCH – Universidade do Minho), onde, a partir do segundo ano, já realizava alguns trabalhos académicos, os quais submeti com sucesso em seminários e congressos internacionais, como foi o caso do Confibercom 2014:

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Embora minha pesquisa já tenha pelo menos dois anos, digamos que uma estrutura argumentativa “princípio-meio-fim” só será concebida agora no mestrado, com algumas reservas para o “fim”, porque investigação raramente vê um fim. Assim, como todo mestrando, preciso de perguntas, hipóteses, variantes e constantes, etc…

Estou actualmente a terminar o projecto do mestrado, e embora a pesquisa ainda esteja um pouco vaga/aberta a mudanças, três questões me acompanham desde a licenciatura:

1 – Não será difícil perceber, principalmente para quem faz rap, que o que era antes (início dos anos 2000) o ambiente atmosférico urbano do movimento hip-hop, sofreu uma migração acentuada para a internet. Só isto não forma uma problemática relevante para mim, uma vez que praticamente toda a industria musical viu essa migração. O que me intriga é: como se sentem os rappers que, antes da massificação do acesso à internet em Portugal, produziam música para as ruas, e agora esse ambiente urbano foi engolido pela rede (?). Meu interesse centra-se mais no movimento purista do rap nacional. O que realmente mudou nessa configuração?  Perdeu o rap parte de sua essência?

2 – Usando a mesma comparação temporal, entre início dos anos 2000 e a migração dos rappers para a rede, pergunto-me também: Quais são as lógicas de comunicação destes artistas, uma vez que agora não são mais o único ponto de emissão de informação? Uma vez que a internet democratizou a informação, tornando o utilizador um possível emissor de opinião, quase sem filtros, quais são os posicionamentos quanto à comunicação destes rappers, agora acessíveis e expostos a feedback directo, à distância de um simples clique e acesso a uma página de Facebook? Tornaram-se eles marketeiros?

3 – Por fim, interessa-me analisar a configuração, e a existência (ou não), da comunidade imaginada online do movimento hip-hop tuga. Existe ou não uma consciência colectiva de pertença a um movimento, que na rede perdeu território e margem, para não falar da compressão do tempo? Haverá uma identidade colectiva desta comunidade dentro da rede, e uma diferente no mundo offline?

Estas são algumas das perguntas que se vão transformar, e sobre as quais me debruçarei ao longo dos próximos meses. O meu próximo post será sobre a metodologia que irei utilizar, ou pelo menos a que tenciono… vamos ver o que a minha orientadora diz =)

Hora de ir…vou ali comer uma pizza.

Rede Hip-Hop

Bem-vindos(as) ao Rede Hip-Hop!

Este blogue, como já devem ter adivinhado pelo nome, vai tratar de assuntos sobre Hip-Hop. Não será um blogue com publicações relacionadas com as novidades da cultura, mas sim um local onde irei publicar questões atreladas à minha pesquisa de mestrado. Criei uma página “Sobre” no menu acima, onde poderão ler sobre a missão, entre outras informações deste “projeto”.

Neste primeiro post quero apenas dar-vos as boas-vindas, agradecer o tempo dispensado, assim como vos convidar a seguir o blogue… seja através do botão para esse fim na barra à direita, ou através da nova página de Facebook.

Como escrevi na secção “Sobre” o Rede Hip-Hop, aqui irão encontrar bastante material académico aplicado ao movimento cultural, mas encontrarão igualmente uma abordagem menos formal. Além disso, apesar de o meu foco de pesquisa ser o rap português, é provável que faça publicações sobre outras vertentes, ou hip-hop de outras partes do mundo, entre outros posts relacionados com comunicação, sociologia e internet. Irei promover interacção com os visitantes, parcerias com sites, entre outras coisas…

Espero ver-vos na minha primeira publicação, que será dentro de poucos dias, onde farei a apresentação de algumas das perguntas-chave da minha dissertação.

Obrigado =)