Dissertação de mestrado e outras ideias

Dissertação de mestrado

Instagram Davide GravatoA defesa da dissertação já tem uns meses, mas só agora lembrei de escrever sobre isso. O título final ficou o mesmo – Rap em Portugal: comunidades online, lógicas de comunicação e posicionamentos identitários na internet. Este estudo procura identificar posicionamentos identitários do rap português, e perceber como estes se transpuseram para a internet, assim como se configuram as comunidades online relacionadas ao movimento cultural na rede. Além de uma contextualização geral, procuramos mapear as páginas e grupos generalistas de Facebook sobre hip-hop português, para que pudéssemos compreender o enquadramento e a formação dessas comunidades.

->Devo fazer outros posts sobre partes do conteúdo da dissertação, mas se tiverem interesse em ler ou fazer download desta… aqui está o link.<-

Outras ideias…

Ando a ter umas ideias para melhorar o Rede Hip-Hop. Eu sei que isto precisa de um site e logo decentes, mas estou a falar mais sobre conteúdo. Além de ser óbvio que preciso de postar mais vezes, pensei que podia criar umas séries de publicações diferentes. Eis algumas destas ideias que colocarei em prática num futuro muito próximo:

  • Nos headphones: Esta será uma série de publicações semanal ou quinzenal, ainda não me decidi, sobre as músicas que ando a ouvir. Quero ainda comentar sobre o que gosto/desgosto nelas, para não ser apenas uma lista de nomes.

e

  • Frases do hip-hop tuga: O nome já denuncia praticamente tudo. Ainda assim, e como estas frases deverão estar ligadas às músicas que ando a ouvir (nos headphones), quero também comentar algo sobre elas.

E é isso… 

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A internet como um meio (+estatísticas)

A internet trouxe, entre outras coisas, várias mudanças para a sociabilidade humana. Outros meios de comunicação e informação vão gradualmente perdendo espaço, e a rede vai substituindo-os trazendo uma diferente estrutura, horizontal. A televisão, embora ainda seja uma mídia relevante, não consegue acompanhar o fluxo de informação da internet, e oferece uma interatividade bastante limitada por funcionar binariamente – estando ou não em frente a uma.

Os canais temáticos da televisão também não conseguem acompanhar a fragmentação tópica das redes em fóruns e redes sociais. Enquanto surge um “septingentésimo” canal sobre a música de um certo país ou região, seguramente já existe um conjunto de páginas com conteúdo relacionado na internet. Obviamente não foi sempre assim, até porque a rede continua a expandir diariamente.

Se consultarmos o sítio Internet Live Stats, que coleta dados da internet a partir da União Internacional de Comunicações, Banco Mundial e da Divisão da População das Nações Unidas, poderemos consultar várias métricas e estatísticas sobre a internet (e o seu uso).

Gráfico 1 - número de utilizadores da internet

O gráfico acima identifica a curva crescente dos utilizadores da rede, e pudemos ver que cerca de 40% da população mundial possui conexão à rede. O primeiro bilhão foi atingido em 2005, o segundo bilhão foi alcançado cinco anos depois em 2010, e o terceiro chegou quatro após o segundo, em 2014.

É natural que com o aumento de penetração (percentagem de população com acesso) a percentagem de crescimento anual vá diminuindo. Mas também será natural o não acesso de utilizadores dos países mais pobres, o que contribuirá o contínuo decréscimo de novos utilizadores que iniciou em 2010:

Tabela 2  - número de novos utilizadores da internet

O facto de que, em 2013, o continente africano representava apenas 9.8% de utilizadores mundiais precisa ser ressaltado como um valor preocupante. Embora a internet tenha tido o mais rápido índice de penetração que qualquer outro meio de comunicação existem variáveis raciais, sociais e económicas que condicionam o acesso à rede. Enquanto revia os números do Internet Live Stats percebi que quando tive pela primeira vez acesso à internet (algures em 2000) fazia parte dos 6.7% da população mundial. Mais estranho ainda, foi pensar que quatro anos mais tarde (2004) quando o meu acesso à internet se tornou praticamente diário devido à contratação de um serviço de quatro megas, fazia parte de 14.1% da população mundial com acesso à rede. Ainda que pessoais, estes pontos de vista realçam as estatísticas de uma internet ainda elitizada, em uma sociedade em rede limitada.

Espero que tenham gostado destes pequenos insights sobre a internet como meio. Um texto similar a este estará disponível na versão final da minha dissertação, que, assim que terminada, estará disponível para download gratuito aqui no Rede Hip-Hop. Seguem-se as referências para este texto (se quiserem exatamente quem disse o quê basta perguntarem nos comentários, que respondo no mesmo dia):

– Sítio Internet Live Stats
– Manuel Castells (2005) A sociedade em rede. (8 ed.) São Paulo: Paz e Terra
– Davide Gravato (2016) Rap em Portugal: comunidades online, lógicas de comunicação e posicionamentos identitários na internet

No próximo post vou abordar a comunicação mediada por computador (CMC), e provavelmente, abordar alguma coisa relacionada com o conceito de virtualidade.

Davide Gravato

Conceito de sociedade em rede (introdução)

Uma vez que a minha pesquisa trata a identidade do rap português na rede, foi-me impossível não abordar o conceito de sociedade em rede. Não explicarei o conceito de uma forma densa, mas como provavelmente irei citar a teoria mais do que uma vez, não custa perceber de onde isso vem…

Manuel Castells disse que a internet “es un medio de comunicación que permite, por primera vez, la comunicación de muchos a muchos”. Ela possibilita então a formação de uma grande rede de comunicação. Não quero aqui dizer que redes de comunicação não existiam antes da internet, mas que esta base tecnológica da era da informação impulsionou e organizou essas redes, numa nova dinâmica através da comunicação mediada por computador (CMC). O autor faz ainda uma comparação de importância entre a internet e a rede elétrica na era industrial, equiparando-as.

A teoria de sociedade em rede de Manuell Castells (1996-2000), apesar de ser pré redes sociais de massa como Facebook e Twitter, é ainda uma base sólida para introduzir o que significa estar online. Esta teoria serve também para fundamentar um contexto mais amplo e global em que a internet se insere, ou seja, uma realidade e quotidiano tecnológico que avança(va) rapidamente.

Os humanos recorrem consecutivamente à tecnologia para mudar a sociedade, e esta acaba por ajudar a transformação de uma mundividência que ela promoveu anteriormente. Assim os seus utilizadores se apropriam da tecnologia para amplificar uma nova mundividência. A internet trouxe uma nova visão perante a interação humana e consumo de mídia, pois a comunicação mediada por computador trouxe a ideia do virtual, que por si só, traz questionamentos quanto à possível variação de uma identidade coletiva ou individual, e suas consequências. Assim como outras tecnologias decisivas no passado (roda, máquina a vapor, rede elétrica, etc.), a internet tem sido importante para a recente configuração social em que vivemos.

Este alicerce digital e virtual é a base da sociedade em rede de Castells. Esta sociedade usa recentes tecnologias que os capacitam de meios para se comunicar e informar, transcendendo o espaço e tempo. Através da internet podemos dialogar com pessoas de qualquer parte do mundo, trabalhar remotamente, mantermo-nos atualizados das últimas notícias sobre um local do outro lado do globo, entre muitas opções em rede que nos mantêm interconectados. No entanto, este modelo requer que a sociedade também mude e se adapte.

Por hoje está bom de teoria! Num outro post irei falar da internet como um meio na sociedade em rede. Estes conceitos vão ser úteis quando tratarmos do rap tuga na rede.

Davide Gravato

Fonte:
– Manuel Castells (2001) La Galaxia Internet. Areté.
– Manuel Castells (2005) A sociedade em rede. (8 ed.) São Paulo: Paz e Terra
– Davide Gravato (2016) Rap em Portugal: comunidades online, lógicas de comunicação e posicionamentos identitários na internet

Nota: Este conteúdo irá estar disponível na versão final da minha dissertação, que, assim que terminada, estará disponível para download gratuito aqui no Rede Hip-Hop.

Primeiros capítulos entregues…

Hoje entreguei os primeiros capítulos da minha dissertação. Até ao final deste mês devo entregar mais dois. Não estou propriamente adiantado, mas acho que acabarei a tempo.

Há uns tempos fiz um sumário temporário sobre a dissertação, onde postei um index sobre os capítulos, etc. Posso dizer que esse índice já está desactualizado, e assim que a minha orientadora der o OK, irei postar a versão final.

Começarei então a publicar aqui algumas coisas sobre internet, comunicação e Hip-Hop… tópicos esses relacionados com a dissertação. Decidi também que não vou complicar muito quanto aos aspectos mais académicos/teóricos. O blogue será mais direccionado para um público-alvo que gosta de Hip-Hop, mas também de ler mais qualquer coisa que as letras das músicas. Não faz sentido fazer um blogue de Hip-Hop apenas, pois não é esse o meu focus. Também não faz sentido publicar muita teoria e base académica, e tentar chegar até à comunidade Hip-Hop…

É isso… só para me habituar a postar mais.

Até mais!

Depois da ausência

Esta é apenas uma pequena nota após minha longa ausência. Tive bastante trabalho, e o tempo que dediquei à tese não foi muito. Nos dias que correm estou a escrever algumas páginas por dia, e estou a recuperar tempo “perdido”.

As minhas parcerias com os sites de Hip-Hop Tuga estão ainda de pé (penso eu), mas não consegui combinar com os administradores das páginas, para proceder a um lançamento. O blogue em si também não foi lançado, e se estás a ler isto, o mais provável é que sejas meu amigo no Facebook hehe.

Considerável parte teórica da dissertação já está encaminhada e penso que conseguirei começar a publicar algo aqui. Depois da ausência cá estou novamente.

Até mais!

Um sumário temporário

Pois é, este vai ser o último post sobre a estrutura da tese, pelo menos por agora. O que vou apresentar abaixo é um sumário da dissertação, que irá muito provavelmente sofrer mudanças, e que definitivamente se vai prolongar. Embora eu vá fazer publicações algo aleatórias de vez em quando, este sumário serve também para que possam ter uma ideia do que virá a seguir no blogue. Aqui vai:

  1. Internet e sociedade
    1. Contextualização da internet e a sociedade em rede
    2. Evolução da internet: da web 1.0 à 4.0
    3. Apropriação da internet pelos movimentos culturais
    4. Extração de dados online para análises da realidade virtual
  2. Comunidade imaginada na rede
    1. Comunidade imaginada por Benedict Anderson
    2. Comunidades online:
      I. Tipos de comunidades online
      II. Diferenças e semelhanças: comunidade imaginada de B. Anderson vs comunidade online de (a decidir)
  3. O Hip-Hop e a sua difusão global
    1. Origens sociais e territoriais do Hip-Hop
    2. As quatro principais vertentes
    3. Globalização da cultura Hip-Hop
    4. Contextualização social e a difusão do Hip-Hop em Portugal
  4. Identidade do rap nacional
    1. Formação das margens norte e sul
    2. A disseminação dos “códigos de conduta” nos primeiros álbuns
    3. A expressão do real e o purismo anti-americano
    4. Underground vs Mainstream
    5. Outros aspectos identitários do rap tuga
  5. Das ruas para a rede: A transição do rap português para o meio online
    1. A essência e caracterização do rap nacional na internet
    2. A compressão espaço-tempo
    3. Democratização do espaço e informação
  6. A comunidade imaginada do rap português na rede
    1. Atributos e disposição da comunidade imaginada do rap nacional na rede
    2. Discrepâncias entre o offline e online: (des)aproximação das ruas e público
    3. Relação com comunidades de outras vertentes
  7. Os rappers portugueses na internet
    1. Lógicas de comunicação e interacção com o público online:
      I (Serão escolhidos 6 projetos. Não posso divulgar nomes por enquanto)
    2. Posicionamentos identitários e análise de opinião quanto à essência do rap português no Facebook:
      I (Provavelmente os mesmos 6 projetos serão analisados. Não posso divulgar nomes por enquanto)
    3. Considerações e análises dos resultados
  8. Conclusões
  9. Anexos
    1. Análises estatísticas e semânticas da dissertação: visualização de informação

Pronto, este é o esqueleto base da dissertação, e como já devem ter reparado, pelo carácter algo vago de vários pontos, esperem várias ramificações em cada tópico.

Vou continuar a minha leitura com o Castells! Até mais…

Começo atribulado + Parcerias

“Onde anda o Davide?!”

A minha última publicação foi há quase um mês e meio, e só tenho de pedir desculpas pelo início atribulado deste blogue. Foi uma mistura de trabalho, falta de tempo e até um pouco de preguiça, mas hoje voltei para vos esclarecer a situação deste projecto.

Para que me discipline, decidi o seguinte esquema de publicações:
– Haverá um post neste blogue todos os fim-de-semanas (noite de sexta-feira, sábado ou domingo).
– O ponto acima não invalida a possibilidade de publicar mais de um post por semana.
– Publicações semi-aleatórias, mas relacionadas com os temas deste blogue (rap; hip-hop em geral; identidade; comunidade imaginada; internet; comunicação e big data) serão postadas no nosso Facebook. Pelo menos uma a cada 2/3 dias…

Esta entrada deveria dar continuidade à explicação do projecto do meu mestrado, no entanto, este já sofreu alterações. Assim, farei apenas um post que o explicará de uma maneira geral, para que possamos prosseguir com a proposta de conteúdo deste blogue rapidamente.

Antes de encerrar este post… bastante protocolar e aborrecido, quero ainda anunciar que o Rede Hip-Hop fez três parcerias com sites nacionais. Irei divulgar os nomes dos mesmos, assim como em que é que consiste a parceria, num futuro muito próximo.

Mais uma vez peço desculpa pela inconsistência inicial de publicações…
… e vou ali publicar isto no Facebook.